ARREPENDIMENTO

ARREPENDIMENTO

 

Graça e Paz!

        O que me ocorre desta vez, é que talvez tenhamos perdido toda a essência do que significa a conversão e, conseqüentemente o arrependimento. Quero apenas, com este singelo texto, trazer a minha e a sua memória qual era o arrependimento pregado por João Batista, por Cristo, pelos apóstolos e por uma minoria de almas sãs e obedientes que permanecem em nossos dias. Para isso entendamos o texto que segue:

 Mt 3.4-8: “E este João tinha a sua veste de pêlos de camelo e um cinto de couro em torno de seus lombos e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Então, ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento...”

        Este texto nos remete a uma cena que ocorreu a mais de dois mil anos, e que facilmente podemos remontar em nossa mente, mas, antes de falar sobre a cena, devemos perceber o contexto em que ela ocorre.

 O contexto é este: João Batista pregava o arrependimento dos pecados, e aos que se arrependiam e confessavam suas faltas, batizava.

        Este arrependimento pregado por João Batista significava uma real mudança de mentalidade e de atitude em relação ao pecado. Como você já deve ter lido ou ouvido a palavra grega que corresponde a este “arrependimento” é “metanoia”, que literalmente significa “mudar de direção”.   

        Era este o arrependimento que João pregava quando dizia: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”. Foi este o arrependimento que Jesus pregou durante todo o seu ministério terreno: “Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento”. Que arrependimento? Metanoia: mudança de atitude na mente e nas obras. Obras justas e pensamentos retos.

        Porém, contudo, entretanto, não foi este o arrependimento que ocorreu no versículo 7. Estes homens foram até João para serem batizados por ele, mas João recusou-se veementemente a fazê-lo. Por quê? Porque o seu arrependimento não era verdadeiro, a sua confissão de fé não era genuína. Porém, se me permitem conjecturar, é bem provável que se João não tivesse se oposto, estes “falsos arrependidos” teriam levado a cabo o seu intento, adentrando o Jordão e mergulhando em suas águas barrentas. E, se a conjectura estiver certa, temos um grande problema.

 Não tenho dúvidas de que as falsas confissões de fé continuam a ocorrer nas igrejas do mundo inteiro, e temo que em um número muito maior do que o tolerável. Parece que a idéia de que a resposta positiva à pergunta “você quer aceitar a Jesus?” somada a uma oração de trinta segundos, tem sido admitida como suficiente para formar um cristão. Esta “idéia” tem abarcado milhares de adeptos, contudo, é ela o agente causador de uma pandemia de falsas conversões.

 Em suma, são raras as vezes que se consegue distinguir um professo cristão de um autêntico não-cristão nas ruas da cidade onde vivo, a conduta é a mesma, as atitudes são similares, não há diferença no vestir-se ou no vocabulário, os hinos estão na boca de ambos, e as músicas seculares do momento, idem.

 Não há outra razão para isso, se não que essas pessoas não tiveram uma experiência verdadeira com Deus. Quem tem uma experiência com Deus e se converte de seus caminhos de erro, resplandece como a luz em meio às trevas,  não se confunde nem se camufla em meio a multidão.

 Os falsos arrependimentos contemporâneos não são da mesma natureza daqueles dos dias de João Batista. Naqueles dias o arrependimento era pregado em todo o seu conselho, primeiro por João, depois pelo próprio Cristo, depois pelos discípulos, de maneira que o falso arrependimento poderia ser creditado apenas ao professo arrependido. Hoje, contudo, ele pode ser creditado quase que integralmente ao amigável pregador de palavras suaves, que oferece a Cristo da mesma forma que um pedinte mendiga um trocado, não obstante, falso continua sendo falso , e não importa de quem é a culpa.

 O bem mais precioso que um homem pode ter é oferecido como se nada valesse, como se fora a sobra da feira. Não admira que a autoridade de Cristo tenha sido zombada.

 “O motivo pelo qual não temos tido muitas verdadeiras conversões nas igrejas, em nossos dias, é que o evangelho que pregamos não requer uma conversão.” Esta frase está no livro de Silas Daniel, A Sedução das Novas Teologias, e ela está repleta de significado.

        Você tem o direito de achar que estou sendo severo, mas eu apelo as Escrituras, recorro aos evangelhos, não para algo que está escrito, mas para algo que não está: Jesus nunca se ofereceu segunda vez a um homem, nunca se ouviu da boca do mestre algo do tipo – Espere, espere! Dê-me mais uma oportunidade de lhe falar do meu amor por você!

 Outrossim, encontramos essas palavras ditas pelo Mestre aos apóstolos depois do duro sermão da montanha: “Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele. Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?”Jo 6.66-67. E, quando enviou os discípulos a pregar as Boas Novas, deu esta recomendação: E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Mt 10.14”

 

 A Paz do Senhor.

 

Tiago

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