Como a Bíblia chegou até nós?

Como a Bíblia chegou até nós?

 

por Ana Caroline Campagnolo Bellei

O Antigo Testamento foi escrito quase totalmente em hebraico, com alguns trechos em aramaico durante um período de mais de um milênio. As partes mais antigas foram escritas em couro e papiro. Sabe-se que o primeiro autor foi Moisés, por volta de 1500-1400 a.C.

Os livros que foram aprovados pelos testes de inspiração e autoridade divina foram proclamados “inspirados por Deus” e assim incluídos no cânon. Kanon, do grego, é uma expressão que indica “vara de medir”, ou seja, no caso das Escrituras, serve como padrão, regra, ou norma para se avaliar livros como sagrados. Supõe-se que o Pentateuco foi canonizado em 444 a.C, os livros proféticos por volta de 250 a.C e os demais livros cerca de 165-100 a.C.

 O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego. Aparentemente o primeiro livro escrito foi Tiago, em 45 d.C., e o último, Apocalipse, no ano 95. Os evangelhos foram escritos antes do ano 70, porém, até que fossem registrados pela escrita, os relatos da vida de Cristo eram pregados oralmente e os apóstolos valiam-se das profecias do AT como base.

Tendo em vista que a Bíblia, como a conhecemos hoje, não existia na época da Igreja Primitiva, usava-se o Antigo Testamento nas pregações. Verificamos que era assim, conforme Atos 2, a partir do verso 14, quando Pedro usa o trecho de Joel 2 para explicar a multidão qual fenômeno estava acontecendo no Pentecostes. “Então Pedro levantou-se com os Onze e, em alta voz, dirigiu-se a multidão: Homens da Judéia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar-lhes isto! Ouçam com atenção. Estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove horas da manhã. Ao contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel: Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.(...) E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!” (Atos 2.14-21) NVI.

Ao decorrer dos dias, percebeu-se a necessidade de defender o Evangelho de erros, heresias e mitos que iam surgindo. Para suprir essa necessidade e orientar os cristãos as cartas começaram a ser escritas e enviadas às igrejas.

Para a canonização do Novo Testamento foram usados 4 critérios: (1) Apostolicidade: que refere-se a confiabilidade do autor do livro, como apóstolo ou discípulo verdadeiro de Jesus. (2) Conteúdo, (3) Universalidade: o livro deveria ter um apelo Universal, não somente local, e (4) Inspiração divina. No que se refere ao cânon do NT a opinião de personalidades específicas teve papel importante no início do processo, pois só a partir de século IV os concílios passaram a se pronunciar sobre o assunto.

Entre as personalidades que testemunharam a respeito dos livros bíblicos destacam-se o testemunho de Jerônimo (340-420) e Agostinho (354-430). Jerônimo, tradutor da Vulgata latina, atestou os 27 livros do NT, já Agostinho, além de ter aceitado os nossos 27 livros do NT, foi em grande parte o responsável pela ampliação do cânon da Igreja Católica com a inclusão dos livros Apócrifos. Dos concílios, vale citar o que forneceu a primeira decisão sobre o cânon. Foi o Terceiro Concílio de Cartago, em 397, que determinou que apenas livros canônicos poderiam ser lidos nas igrejas, neste caso, exatamente os vinte e sete livros que os protestante aceitam no Novo Testamente.

Exatamente como declara UNGER,

 

“Durante a Reforma, os reformadores insistiam na autoridade de uma Bíblia infalível, sobre a suposta autoridade de uma igreja infalível. Todavia, a respeito do cânon do NT, em 1546, no Concílio de Trento, pelo Decreto Sacrosancta, a Igreja declarou canônicos onze dos quatorze livros apócrifos. São eles: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, 1 e 2Macabeus, Cântico dos Três, Susana e Bel e o Dragão. Também aceitou acréscimos tardios ao livro de Ester.” (2006, 714)

 

            Findadas as alterações na Bíblia Católica após a contra-reforma, a Bíblia Protestante, traduzida inicialmente por Martinho Lutero com fins de propagar as Escrituras, começou a ser distribuída e lida por todo o mundo gradualmente. A primeira tradução da Bíblia em português foi feita por um protestante, convertido do catolicismo, o pastor João Ferreira de Almeida. 

NOTA

 

De João Ferreira de Almeida:

“Nasceu em Lisboa, em 1628, de pais católicos romanos. Indo ainda jovem para Holanda, aceitou a fé da Igreja Reformada Holandesa em 1642. Mudou-se para Batávia (hoje, Djacarta, capital da Indonésia) onde se tornou zeloso pregador do Evangelho.

Durante sua longa vida pastoral, escreveu e publicou várias obras religiosas, entre as quais se destaca a versão portuguesa da Bíblia. Almeida traduziu o Antigo Testamento até Ezequiel 48.21, quando então faleceu, em 1691. Missionários amigos seus completaram a tradução, especialmente Jacob Opden Akker.

Almeida tinha fé católica, herdada dos pais, porém ao ler o folheto “Diferença da Cristandade Reformada para a Igreja Romana”, se converteu radicalmente. Casou-se em 1651 com a filha de um pastor e foi ordenado ao santo ministério em 16 de outubro de 1656.

A Igreja Católica queimou-o em estátua em Goa, antiga possessão portuguesa na Índia, de forma semelhante ao que aconteceu com Wicliff, que foi tirado da sepultura para ser queimado.” (VASCONCELLOS. 2007, p. 98-99)



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